N.

Eu te dei tudo o que cabia em mim,
e ainda assim não foi suficiente.
Não porque eu fosse pouco,
mas porque você nunca soube confiar
no amor que lhe estendi com as mãos abertas.

Sinto muito por todas as vezes
em que fiquei sozinha, mesmo ao seu lado.
Você ia embora com tanta facilidade
que parecia não haver passado,
não haver nós,
não haver nada que merecesse um último olhar.

Hoje, por amor-próprio, sou eu quem parte.
E dói mais do que todas as suas despedidas juntas.
Porque ir embora amando
é um tipo de coragem que sangra.

Não sei se essa tristeza um dia passa.
Ela mora no meu corpo,
aperta meu peito,
me faz desejar você mesmo sabendo
que desejar também machuca.
Meu corpo implora pela sua presença,
meu coração ainda pronuncia o seu nome,
mas uma parte cansada de mim
sabe exatamente o quanto você me fere.

Em que momento me tornei dependente
de alguém que só volta por pena?
Você não me ama —
você retorna quando a culpa pesa,
quando a solidão lhe assusta,
quando precisa de um lugar seguro
para repousar o que não sente.

E eu…
eu fico, eu espero, eu me parto.

Mas não mais.

Esta partida não é vingança,
é sobrevivência.
Preciso ir para não morrer um pouco mais a cada dia,
para silenciar essa dor que grita dentro de mim,
para juntar os cacos da dignidade
que você, sem perceber, foi quebrando.

Sinto muito.
Prometi que ficaria,
mas já não suporto te ver
e não ser escolhida.
Já não aceito ser alvo de risos,
de idas fáceis,
de amores pela metade.

Você sempre será o meu “e se”.
O amor que ficou.
A história que não foi.

E mesmo partindo,
confesso em silêncio:
esse amor nunca vai deixar de existir.

Mas eu preciso ir.
Porque amar sozinha…
me mata.

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